
“Sou uma profundeza de confusões, e quem se atrever pular em minhas águas, pode ligar para emergência, que o afogamento é certo. O naufrágio será grande, em águas sujas de sentimentos indelicados, pois, não há quem saiba nadar, não há quem saiba lidar com as minhas ondas, não há quem aguente ficar em meu mar por muito tempo. Às vezes, nem eu mesma aguento e acabo expulsando peixes. Peixes que são mais conhecidos como pedaços de mim, os inúmeros pedaços que perdi por aí, em cada canto imprestável desse oceano profundo. Sou complicada, mas ao mesmo tempo, sou fácil de entender e traduzir. Sou de lua muitas vezes, em alguns momentos quero coisas simples, e depois de dois segundos quero coisas difíceis. Não sou o tipo de menina que curte menino grude, não costumo ser muito grude, mas às vezes que me transformo em um, acabo exagerando além da conta. Exagero demais. Amo demais. Faço tudo o que tenho que fazer, com direito a mais de duas e dez vezes, tudo em doze dupla, tripla ou até mesmo mais. Não sei usar meios termos, não sei dizer o quase. Não consigo lidar com um mais ou menos e não aceito um tanto faz… É o tudo ou o nada, o nada ou o tudo. Talvez por isso, minhas águas sejam tão cheias de turbulência. Talvez por isso, as ondas vêm com muita frenquência e sempre pedindo mais, sempre altas e fortes, capazes de me jogar no chão, deixar qualquer um rolar pela areia seca e branca de minha praia. É como entrar em um mar calmo e achar que indo até o fundo não irá se afogar. É como ficar no raso em um dia de ondas gigantes e se distrair, cair de corpo e cara, machucando em momentos, em outros não. Há quem queira se arriscar, há quem queira pular. Há quem pula fundo e permanece lá dentro, preso em meus momentos, em minhas vidas… Há aquele que se joga achando ser fácil, pensando que seja prático. Há aqueles que ficam dias perdidos e não pensam na esperança de fugir, cair fora… e acabam se perdendo, mais e mais, mas, principalmente, há pessoas achando que conhecem minhas águas e caíndo em correntezas, acabando afogadas. Superfluamente, posso ser um azul límpido, posso parecer límpida o suficiente para ver os detalhes com muita exatidão, com muita precisão, sem ao menos fazer tanto esforço. Posso parecer fácil de sobreviver a mais um ataque animal, mais um ataque ao meu animal, ao meu eu… Posso também parecer completamente limpa, sem pedaços partidos, sem dores, sem desamores, sem soluções… Posso parecer perfeita, mas não se engane, ao emergir, você poderá se deparar com mais coisas do que imaginava, com mais pedaços insensatos de um eu que já teve experiências boas… Mas também ruins. Pode se deparar com mais um pedaço qualquer, um que seja grande e que esteja procurando por vingança… Afinal, é isso que faz um tubarão que não se alimenta à dias e dias, é isso que faz um tubarão depois de ser completamente perturbado… Ele ataca.” Maria Luiza e Gabriela, (en-fraquecidos)